segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Moralmente rebaixados


São Paulo, domingo, 7 de dezembro de 2014. O relógio apontava 19h50. Os jogadores do Palmeiras já ouviriam o apito final da última partida da temporada e começavam a caminhar em direção aos adversários do Atlético-PR para a tradicional troca de camisas.

Poucos minutos depois, um misto de alívio e indignação toma conta das arquibancadas do Allianz Parque. Era o gol de Thiago Ribeiro, do Santos, que nos salvaria de um vexame ainda maior naquele fim de tarde. Num piscar de olhos, a raiva tomou conta dos torcedores presentes, que usufruíram de todos os benefícios acústicos da arena para xingar nominalmente, um a um, todos os protagonistas do vergonhoso ano de 2014. Inclusive, o maior responsável e pai de todos eles: Paulo Nobre.

O futuro-velho-presidente pôde acompanhar, literalmente, de camarote - e pela segunda vez! -, a tragédia de time que conseguiu montar. Nunca na gloriosa história dessa agremiação houve uma equipe tão ruim nos representando. Valdívia é meio time e Prass preenche os outros 50%. Há alguns bons valores, mas que ainda devem levar algum tempo para atingir o amadurecimento. O resto é resto. É lixo. É pra jogar fora.

A alegria era sentimento raro naquele ambiente e a comemoração se restringia a poucos. Caso a TV fosse ligada naquele momento, muitos poderiam ser levados a acreditar que o Palmeiras havia sido rebaixado. De fato, não fomos. Mas, moralmente, é como se tivéssemos experimentado a sensação de estarmos na Série B. É como se tivéssemos percorrido toda a segunda divisão em questão de minutos. A vergonha pelo rebaixamento era a mesma. A sorte esteve ao nosso lado. Apenas isso, sorte!

Sorte que Nobre teve ao ser presenteado com mais dois anos de sobrevida, período que promete ser negro para ele. Por mais que a situação financeira tenha se aliviado, a pressão no futebol ganhou ares incontornáveis. Não há mais espaço para a incompetência. Vimos e sentimos, de muito perto, o quão caro ela pode custar.

Custou a grandeza de boa parte da nossa torcida. Hoje, muitos almejam títulos, claro, mas já se contentam com uma participação mediana em todas as competições. Pois é, as péssimas gestões nos últimos anos nos transformaram nisso: em torcedores de meio-de-tabela, com o discurso pobre e vazio do "pelo menos não fomos rebaixados".

Essa é a triste realidade de um clube que vive de promessas e ilusões. Que permanece no Século XX como o maior vitorioso de todos e se acostumou a conviver no Século XXI entre os perdedores.

Queiram acreditar ou não, moralmente já fomos rebaixados.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Palma, palma, não priemos cânico!


Como havia dito na semana passada, a partida que nos interessava - ou a partida que selaria de vez as nossas pretensões neste campeonato - não foi aquela que eu e vocês vimos às 19h30 do último sábado. Ela aconteceu mais tarde, às 21h, e a derrota do Vitória por 4x0, por mais amarga que possa ter sido - aliás, não é fácil torcer pelo Flamengo e nem por Márcio Araújo - fez brotar um sentimento de esperança e alívio nos corações dos quase 18 milhões de palestrinos.

Apanhar do Internacional, em pleno Beira-Rio, era mais do que certo. Os diferentes objetivos na tabela representavam as abissais diferenças entre as duas equipes. Enquanto o Inter brigava pela vaga na Libertadores, o Palmeiras brigava - e ainda briga - para não cair. O resultado não poderia ter sido outro: 3x1 para os gaúchos com tremenda facilidade.

Desnecessário analisar tática e tecnicamente nossos jogadores, concordam? Importante, mesmo, foi o fato do Flamengo ter nos dado mais alguns dias de sobrevida na tabela. Chegamos para a última rodada sem moral alguma, mas apenas dependendo de nossas forças. Talvez aí esteja a preocupação. Talvez aí esteja a solução. Não sei, não quero saber. Só torço para que o Palmeiras ganhe.

Ademais, espero que a partida do próximo domingo seja um marco para o início de uma nova era na vida desse clube. Espero pela vitória, mesmo que magra, por 1x0, para nos livrar de mais um vexaminoso rebaixamento. Espero que seja a última partida de uma dezena de jogadores com a nossa camisa. Espero que a paz reine no estádio.

E espero que Paulo Nobre aprenda com os muitos erros dessa primeira gestão. Até porquê, amigos, espero não ter de passar mais dois anos ouvindo justificativas esdrúxulas da boca do nosso presidente, por erros que, teoricamente, teriam sido cometidos de maneira bem intencionada.

Apenas um errava "sem querer querendo". E ele, infelizmente, já não vive mais entre nós.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

EDITORIAL: Valdívia e seu discurso "chute no vácuo"


Poucos jogadores nasceram com a capacidade de causar sentimentos tão antagônicos como Valdívia. Detentor de um talento ímpar, viu sua carreira estagnar pela falta de comprometimento e maturidade, e desde que voltou, em 2010, vive uma relação de amor e ódio com a torcida do Palmeiras - em certos momentos, as duas coisas juntas. Apesar de tanto descrédito, uma coisa é certa: sempre que o chileno abre a boca, deixa a sinceridade falar mais alto. A personalidade nunca lhe faltou. E os jornalistas sabem disso.

Por isso, na tarde de hoje, em entrevista coletiva realizada na Academia de Futebol, Valdívia foi cutucado e deu outro show de opiniões contundentes, principalmente quando questionado sobre a vida política do clube. Nas entrelinhas, colocou Nobre e Pescarmona no mesmo saco, deixou claro não ter mais expectativa alguma sobre as promessas feitas por ambos e escancarou a incompetência da atual diretoria com a montagem desse elenco.

Somente uma frase da entrevista renderia páginas e páginas de observações. Ela diz muito mais do que apenas aquilo que lemos num primeiro passar de olhos. É o que apelidei de "discurso chute no vácuo". Valdívia tem esse dom. De maneira sutil, indireta, provoca e causa a ira do seu alvo. E é apenas nessa frase que quero me ater e debater com vocês. Ela, sozinha, vale a entrevista toda. Confiram na íntegra:

"Pelo o que Paulo (Nobre) e (Wlademir) Pescarmona estão falando, querem formar um time forte. Mas todo ano é a mesma coisa. O papo é o mesmo: equipe forte, que dispute títulos, com jogadores... Não é questão de trazer Messi e Cristiano Ronaldo, mas tem que ter elenco para um jogador só não levar a responsabilidade. Concordo com tudo o que estão falando de time grande, de fazer contratações do tipo que estão falando; mas, às vezes, isso não garante título. O Cruzeiro contratou muito pouco e foi campeão de novo. O Atlético-MG perdeu grandes jogadores, mas tem elenco de qualidade".

Vamos por partes. Primeiro, Valdívia enfia dois dedos na ferida quando fala sobre as promessas dos candidatos. Ele tem razão. Todo ano é a mesma coisa. É projeção ante projeção seja por quem quer que esteja no comando do clube. E acreditem, amigos, as coisas dão errado não por falta de vontade, mas, sim, de competência!

Por isso, esqueçam! O Palmeiras, de novo, não vai montar um time forte para 2015. É uma utopia acreditar que disputaremos qualquer título no próximo ano. Teríamos que reformular 90% da nossa equipe para deixá-la, no mínimo, competitiva. E quem joga por terra todas as esperanças é o próprio Paulo Nobre, quando diz ter uma espinha dorsal montada. Cadê, presidente? Juro que não consigo enxergar a tal espinha nesse amontoado de mais de 40 jogadores. Paulo Nobre não vai contratar uma dezena de bons jogadores. Portanto, 2015 poderá até ser melhor do que 2014, mas bem longe do que acreditamos ser o ideal para o Palmeiras: a briga por títulos.

No segundo trecho, Valdívia aborda a questão da responsabilidade técnica concentrada em apenas um jogador. Ele também está coberto de razão. Ainda mais quando o tal "craque" não entra em campo em 50% das partidas da sua equipe. Nesta parte, o camisa 10 refere-se a si mesmo. Passa o recado de maneira sutil, mas direta. Está cansado da incumbência de ser o "salvador da pátria", de ver elenco atrás de elenco sendo montado em torno dele. 

Não é assim que se monta time, presidente. Não é assim que se ganha campeonato, capiscePor isso amargamos péssimas campanhas nos últimos anos. Pela bilionésima vez: NÃO PODEMOS CONTAR COM VALDÍVIA! É o próprio chileno quem dá o recado! Ele resolve 90% das partidas quando joga, mas nunca joga! Então, Paulo Nobre, de novo: vira a página e vai atrás de outro jogador, caspita! Esquece o Valdívia!

No terceiro trecho, o Mago cita o Cruzeiro como exemplo de planejamento, pois buscou bons jogadores a custos baixos. Traduzindo a frase, ele quis dizer: "Paulo Nobre, seu incompetente". E ele também tem razão quando diz isso, porque o Palmeiras encerrou 2013 com uma boa base, mas que foi desmontada em pouco menos de seis meses pelo piloto de rali.

Duas dessas negociações foram primordiais para a realidade que vivemos hoje. A primeira, a venda de Henrique três meses antes de ele ser convocado para a Copa do Mundo, por conta de um cobrança de valores atrasados. Puro ego ferido. Já a segunda, mais inacreditável ainda, expôs o clube a um vexame nacional no que ficou conhecido como a "Operação Passa-Moleque", quando perdeu Alan Kardec por míseros R$ 5 mil (sim, foi esse mesmo o valor!) para os tricoloressexuais. Essas duas mexidas foram o suficiente para desmoronar tática e tecnicamente a equipe, que dependia demais de ambos para funcionar. Foi um tiro de bazuca no próprio pé!

Por último, amigos, o trecho final, em que Valdívia dá a receita de sucesso do Atlético-MG: "elenco de qualidade". Traduzindo, elenco de qualidade briga por títulos e Libertadores, elenco sem qualidade não briga por nada e corre risco de rebaixamento. Traduzindo mais ao pé da letra: o Atlético-MG tem elenco de qualidade, o Palmeiras tem elenco sem qualidade.

Se Valdívia é excepcional dentro das quatro linhas, é melhor ainda nas entrelinhas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Flamengo, jogai por nós!


Palestrinos,

é difícil mensurar a vergonha por outro iminente rebaixamento. Contra o Coritiba, pela enésima vez ficou escancarada a falta de noção técnica de nossos jogadores. As derrotas, o psicológico abalado, a impotência de Dorival Júnior são apenas consequências de um time que, pra mim, é o pior representante da centenária história do Palmeiras.

Não há muito o que dissecar. É a mesma ladainha de sempre. Exceção feita aos talentosos Fernando Prass e Valdívia, aos garotos João Pedro, Nathan e Victor Luis, e a Henrique, que é ruim de dar dó, mas vem cumprindo seu papel, o restante do elenco deveria ser dizimado das alamedas de Palestra Itália, hoje batizada de Allianz Parque.

Agora, amigos, não dependemos mais de nós. Por quê? Saibam: enfrentaremos o Internacional, que luta pela Libertadores, no Beira Rio - com 99,9% de absoluta certeza de derrota - e Atlético-PR, que não disputa mais nada, em nossos domínios. Desta forma, é lógico acreditar que somaremos até 3 pontos. O Vitória, nosso único concorrente contra o rebaixamento, enfrenta duas equipes com a cabeça já em 2015: Flamengo, lá na Arena da Amazônia, e Santos, em casa. O time baiano pode chegar a 6 pontos somados.

Análise feita, creio que a próxima rodada, a penúltima desse melancólico campeonato, passa ser a decisiva e definitiva. Se o Vitória vencer o Flamengo, estamos praticamente rebaixados. Não ganharemos do Internacional e custo a acreditar que o Santos intercederá em nosso favor na última rodada. Mas se o time baiano empatar ou perder, basta que o Palmeiras cumpra o mínimo de sua obrigação para não reviver o recorrente pesadelo do rebaixamento. Um mísero placar de 1x0 contra o Atlético-PR basta.

Pois é, palestrinos, na próxima semana seremos a Sociedade Esportiva Flamengo. É vergonhoso ou não é?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

EDITORIAL: A casa que precisamos

Caro leitor,

Em meio a uma situação delicadíssima na tabela do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras finalmente jogará novamente em sua casa. Após três longos e árduos anos, o Verde volta ao Palestra Itália, desta vez chamado de Allianz Parque, para ir em busca de três pontos que podem selar de vez a permanência do clube na primeira divisão.

Missão ingrata no ano do centenário, mas que, em caso de sucesso, pode nos garantir algo muito bom em 2015. Trataremos disso mais pra frente. Hoje, porém, é dia de curtir a volta pra casa, mas também de apoiar o time incondicionalmente em busca da vitória.

Falar da Allianz Parque e dos seus benefícios e vantagens é chover no molhado. O palco está montado e hoje promete ser um caldeirão verde, com todas as entradas disponíveis vendidas de maneira antecipada, cerca de 39 mil pessoas, já que a PM só liberou essa carga.

Dentro de campo o time vem de duas derrotas seguidas, o que nos trouxe um velho fantasma de volta: a Série B. Mas, ainda não é hora pra desespero. Um simples triunfo na noite de hoje pode trazer de volta a segurança até o fim do certame nacional.

Esperamos, porém, que o fato de estrearmos a casa nova e tudo o mais não atrapalhe esse limitado grupo de jogadores. Um dos nossos pontos mais fracos é a condição psicológica da equipe. Torço, de verdade, para que o nosso gol saia até os 15 minutos do primeiro tempo. Seria de fundamental importância.

A proximidade com a torcida pode ser um aliado e tanto, mas também preocupa. O time, mais do que nunca, precisa trazer o torcedor para o seu lado.

Hoje é, sim, o início de uma nova era. Com a Allianz Parque poderemos, muito em breve, trazer de volta as nossas glórias e gigantismo, recentemente abalado por péssimas adminstrações e times de futebol.

O Allianz Parque é o que precisamos hoje. Além de ser a volta para a nossa casa, é a entrada para um novo modelo de se ganhar recursos com o futebol.

Tomara que o Palmeiras saiba como aproveitar tamanho poderio. Basta ser Palmeiras.

Avanti, Palestra!