quarta-feira, 13 de maio de 2015

Do vexame à redenção em 45 minutos


Tenho que confessar, palestrinos: temi pelo pior na noite de ontem. Os primeiros 45 minutos foram de dar medo! É inadmissível que uma equipe da grandeza do Palmeiras, que tem elenco para brigar na parte de cima do Brasileirão, encontre tamanha dificuldade para enfrentar o inexpressível Sampaio Corrêa, mero coadjuvante da Série B. Sejamos sinceros, a goleada de 5x1 não reflete o que vimos.

Oswaldo de Oliveira vive sua pior semana desde que chegou. Após a série de lambanças no confronto contra o Atlético-MG, novamente postou mal a equipe alviverde. A entrada de um volante marcador, no caso Amaral, permitiu que o time maranhense bloqueasse nossa saída e concentrasse o jogo nas duas primeiras faixas do campo. Novamente, pediu que os dois laterais atacassem ao mesmo tempo, deixando uma avenida à disposição do infernal Pimentinha, pela nossa esquerda, e de Raí, no lado oposto.

Inclusive, foi nas costas do nosso lateral-esquerdo que outro gol foi construído. Pimentinha botou Vitor Hugo e Egídio para correr, depois sambar, até encontrar a cabeça de Diones, que se antecipou tranquilamente a Wellington para abrir o marcador. Outra falha contabilizada no currículo do zagueiro, que só tem panca de bom jogador, mas é horrendo!

Até então, a equipe vinha razoavelmente bem. Depois do gol sofrido, desmoronou tática, técnica e psicologicamente. O Palmeiras virou um catado em campo. Só que, pra nossa sorte, o fim do primeiro tempo logo chegou e sob uma chuva de vaias vindas das arquibancadas. Nada mais justo.

Com uma simples mudança - a entrada de um articulador, Robinho - a equipe era outra já no primeiro minuto do segundo tempo. Em três minutos, então, o goleiro deles havia praticado duas importantes defesas. Os gols foram saindo naturalmente: Vitor Hugo, após escanteio; Cristaldo, em boa trama do sistema ofensivo; Zé Roberto, com Dudu aproveitando uma pane da zaga adversária; Kelvin, no rebote da cobrança de pênalti; e, de novo Zé Roberto, de cabeça, em cruzamento de Egídio.

Mesmo com toda a facilidade do mundo para marcar, o Palmeiras ainda conseguiu sofrer uma pressão do Sampaio Corrêa. Foram duas bolas na trave e duas gigantescas defesas de Fernando Prass. Totalmente desnecessário!

No final, o saldo foi satisfatório. Há muito tempo não marcávamos tantos gols numa mesma partida. A questão é a repetição dos erros. As peças parecem desencaixadas, os setores ainda jogam muito espaçados, falta velocidade no início das jogadas e dinâmica na criação.

Ou Oswaldo encontra uma maneira de equilibrar essa equipe, ou vamos passar por grandes sustos nesse segundo semestre.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Que a estreia sirva de lição


A princípio, a estreia do Palmeiras no Campeonato Brasileiro de 2015 não poderia ter um panorama melhor. Vinha com moral, após bom desempenho no Paulistão - apesar do vice -, jogava sob seu domínio, com casa cheia, e contra um Atlético-MG completamente montado de suplentes e focado no Internacional. Os primeiros três pontos estavam desenhados!

Mas o que vimos em campo, palestrinos, foram alguns dos mesmos erros cometidos insistentemente nos primeiros meses do ano, que tanto foram maquiados pelo baixo nível técnico de nossos adversários estaduais. Fomos envolvidos por nossos próprios erros e por um nó tático aplicado em Oswaldo de Oliveira, que viveu noite para ser esquecida. No final, empate com gosto de alívio!

Foi decepcionante, eu sei. O jeito é extrair algumas lições para que esses erros não voltem a ser cometidos, pois, finalmente, temos à disposição um elenco capaz de brigar por algo nessa competição. Eis as que considero mais importantes:

Oswaldo de Oliveira
Que nosso técnico não é nenhum estrategista, todo mundo já sabe. Se estamos privados de qualquer grande inovação tática, então que pelo menos faça o simples, Oswaldinho. Os dois laterais não podem subir ao mesmo tempo, o miolo de zaga não pode ficar desprotegido (grande deficiência do treinador ao longo de sua carreira) e o meio precisa criar, inventar, surpreender, para que o ataque possa concluir.

Zé Roberto
Com mais de quatro décadas de vida, Zé Roberto não tem condições físicas de marcar, apoiar, cruzar, cobrar, finalizar, armar, respirar, suar e cuspir. Seu setor se tornou uma avenida! E se eu e você já percebemos isso, imagine os demais adversários... O jogo corre ali, nas costas do veterano. Oswaldo: joga ele pro meio ou segura de uma vez lá atrás. As duas funções ao mesmo tempo, sem chance.

Valdívia
Se a comissão técnica e diretoria acham que o chileno ainda tem algo a dar ao time, que renove o contrato. Caso contrário, que sentem e deem a resolução adequada ao problema. Precisamos de jogadores compromissados, por mais difícil que seja exigir isso de Valdívia...

Gabriel Jesus
Passada a euforia da torcida (lembram-se do "Gabrieeeeeeeel"?), o menino deixou sua condição divina (desculpem o trocadilho) para mostrar que possui as mesmas deficiências e dificuldades de qualquer jovem promissor. Não é um Neymar. Não é um Kaká. Não é um Oscar. É Gabriel Jesus, que pode vir a se tornar um ótimo jogador. Hoje, não é! E talvez demore algum tempo para ser. Isso, se realmente for... Vamos com calma, torcida.

Dudu
Sentiu a pressão, mas precisa de todo o apoio do mundo. Há jogadores que precisam de mais carinho e menos puxão de orelhas para render.

Não iniciemos uma caça às bruxas. É cedo para sentenciar jogadores, técnico e time. É necessário aproveitar o ocorrido para identificar os pontos fracos e sugerir melhorias. Precisamos de um zagueiro experiente, de um volante para fazer sombra a Arouca e Gabriel (lembram o caos de quando Pierre se lesionou em 2009?), um camisa 10 talentoso para o lugar de Valdívia e um centroavante nato, matador.

Que essa estreia sirva de lição. Apenas isso.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Aprendendo na marra

Caro leitor,

Passada a ressaca da derrota para o Santos e a perda do título Paulista, peço licença à coletividade verde para dar a minha opinião acerca do que, para mim, foi o principal personagem das finais: nosso camisa 7, Dudu.

Contratado a peso de ouro e considerado o grande ‘chapéu’ da janela de transferências de verão, Dudu ainda não consquistou plenamente a confiança da torcida do Palmeiras. Dotado de grande habilidade e técnica, o pequenino e esquentado jogador ainda precisa provar muito mais, não só para nós, mas também para o mundo do futebol.

Quando surgiu no Cruzeiro, Dudu já tinha a fama de ser problemático, além de bom de bola. Após passar pela Ucrânia e retornar ao Brasil atuando pelo Grêmio, ele despertou o interesse de grandes equipes, como Flamengo, Corinthians e São Paulo. Depois de muita falação e promessas, o jogador acabou desembarcando no Palmeiras, que entrou no negócio no apagar das luzes, no que Alexandre Mattos chamou de ‘recado’. Ao todo, o Verde vai pagar ao Dínamo de Kiev a bagatela de 5 milhões de Euros, sendo que três milhões já foram depositados de imediato.

Nesses meses em que está no Verde, Dudu fez boas partidas e se tornou peça-chave no esquema de Oswaldo. Assim como o resto da equipe, também oscilou em diversos momentos, mas, sabedor da qualidade do menino, nosso técnico o manteve e lhe deu a alcunha de grande jogador da equipe. Claro, na ausência de Cleiton Xavier e Valdivia.

A derrocada

Passados momentos bons e ruins, chegou a hora de Dudu mostrar a que veio: as finais do Paulista. Com um elenco mais homogêneo do que em outras temporadas, o Palmeiras conseguiu se ver livre da dependência de alguns jogadores, mas, isso não tira a responsabilidade dos grandes nomes em decidir os jogos a nosso favor. É o caso de Dudu.

Até então apagado na primeira final, o camisa 7 teve a grande oportunidade não só de nos garantir um enorme passo rumo ao título, como também de cavar um lugar no coração da torcida. O pênalti desperdiçado contra o Santos pode ser considerado o momento onde também desperdiçamos a chance de erguer a primeira taça deste novo trabalho. Mas, não parou por aí.

A derrocada veio na Vila Belmiro, com uma atuação pífia e descontrolada, que culminou em uma expulsão vergonhosa e uma agressão ainda pior no árbitro da contenda, Guilherme Ceretta de Lima, que relatou tudo em sua súmula. A punição por parte dos orgãos competentes a Dudu é eminente, só nos resta saber de quanto.

Hora de apoiar e ensinar

Espero, porém, que a punição fique somente no âmbito legal. Claro que as atitudes e incompetência de Dudu nos custaram o título, mas devo lembrar a todos de que se trata de um atleta de 23 anos, com mais cinco de contrato com o clube. Não é momento para crucificá-lo, e sim, apoiá-lo, como temos feito com este elenco desde o fim do ano passado.

Algumas pessoas aprendem da maneira mais fácil. Não parece ser o caso de Dudu. Esse, vai ter que ser na marra. Pessoas ao seu redor para esta tarefa, ele tem.

Avanti, Dudu!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O caminho para a vitória

Caro leitor,

O jogo mais importante do ano se aproxima e algumas incertezas ainda pairam sobre a montagem do time que enfrentará “eles” no próximo domingo. Contudo, creio que o que vem acontecendo nos últimos treinamentos é o que veremos em campo, salvo a ausência de Zé Roberto, que faz tratamento intensivo para poder jogar.

Com uma realidade técnica bem diferente da do ano passado, entramos em um derby com boas chances de vitória, mesmo com o nosso adversário vivendo um momento melhor e jogando sob “seus” domínios. O jogo no Estádio Municipal de Itaquera tende a ser tenso, mas bem jogado, dada a qualidade técnica de ambas as equipes.

A chave para a nossa vitória, penso eu, passa pelos pés de Valdívia e Dudu. Dentre os 11 titulares, são os dois com maior capacidade técnica e psicológica para decidir. Dudu, como mostrou no jogo contra o SPFC, gosta de um confronto grande. O mesmo vale para o chileno. E são esses dois quem vão atrair a maioria dos marcadores adversários neste confronto, abrindo espaço para outros nomes, como Robinho, o melhor meia do campeonato até aqui, e Rafael Marques, que vem demonstrando uma melhora incrível desde sua última passagem pelo Palestra Itália, em 2004.

A ansiedade já toma conta da torcida – e penso que dos jogadores também – devido a grandiosidade do Derby. Mas, além disso, a ansiedade aparece porque depois de algum tempo vamos mandar a campo um time muito forte, com muitos jogadores com capacidade para decidir. Esta partida pode significar o início de um novo momento no Palmeiras. Um momento onde devemos voltar às cabeças, voltar à briga por títulos.

O contexto dado por Oswaldo de Oliveira é cirúrgico: se perdermos, não será o fim do mundo. De fato, não será mesmo. Mas bons trabalhos, mesmo no início, precisam passar por alguns episódios-chave. Esse é um deles.

Avanti!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Choque-Rei: o meu primeiro clássico

Desde muito novo vou a estádios de futebol. Antes, quando criança, ia com o meu pai, na época ainda torcedor fervoroso do Palmeiras, assim como eu. Hoje, vou sozinho, como torcedor e também jornalista. Poucos são os jogos que me deixam nervoso, ansioso. Mas, nenhum talvez como Palmeiras e São Paulo, conhecido da crônica esportiva como o “Choque-Rei”.

Esse jogo foi o meu primeiro clássico. Lembro-me como se fosse ontem. Foi no dia 18 de Abril de 1999, em jogo válido pelo Campeonato Paulista. O Palmeiras, treinado por Luiz Felipe Scolari, iria a campo com o time misto, mas que ainda sim contava com grandes jogadores como Evair, Alex e Galeano. Do outro lado o São Paulo, que tinha França, Dodô, Serginho e, claro, Rogério Ceni.

Mesmo as 16h, fazia um frio espantoso em São Paulo. Os termômetros do Morumbi marcavam 12ºC. Mas, dentro de campo, o jogo foi quente, muito quente. Um 4x4 eletrizante, com direito a duas viradas, gol olímpico, de falta e até de goleiro. (Sim, RC fez de pênalti). Não temos mais clássicos como aquele.

Palmeiras e SPFC fazem o que é, na minha opinião, o confronto com rivalidade mais qualificada do Estado de São Paulo. Explico. Desde as longínquas décadas passadas, essas equipes travam duelos épicos dentro mas, principalmente, fora de campo. Quem não sabe da fatídica tentativa dos tricolores de tomar à força o Estádio Palestra Itália das nossas mãos, durante a II Guerra Mundial? E do abandono do jogo, na final do Paulista de 1942, data em que comemoramos a Arrancada Heróica?

Há uma incrível rusga entre esses clubes há anos e, me parece, está sendo revivida  desde o ano passado, quando Alan Kardec decidiu “pular o muro”, ou, para os mais provocativos, “sair do armário”. Os casos Dudu e Crefisa apimentaram ainda mais a rivalidade extra-campo, que é protagonizada pelos presidentes Paulo Nobre e Carlos Miguel Aidar.

Dentro das quatro linhas ambas equipes não venceram clássicos nesta temporada e se veem obrigadas a vencer hoje, não só pela honra e pela tradição, mas também pela pontuação geral do Campeonato Paulista, que prevê o “pior” classificado entre os três grandes da Cidade jogando fora de casa nas quartas de final. Muitos ingredientes para este jogo, que promete ser dos melhores da temporada.

Assim como no meu primeiro Choque-Rei, vou para o de hoje com um imenso frio na barriga e com uma grande expectativa por nossa primeira vitória em um clássico em 2015, ainda mais, na nossa nova casa. Que a rivalidade desse jogo permaneça sempre, mas nas quatro linhas e no âmbito esportivo, sem violência.