quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O (bom) dilema de Oswaldo

Caro leitor palestrino,

Com o passar das rodadas e dos trabalhos, o Palmeiras vai ganhando corpo, “cara” de equipe. Todos sabemos que o início não seria fácil. Mesmo com a qualidade dos jogadores que aqui chegaram (foram 19 ao todo), tornar esse grupo um TIME demandaria tempo e muita, muita paciência. Não só nossa, mas também da imprensa e, claro, do nosso treinador, o simpático Oswaldo de Oliveira.

O torcedor do Palmeiras está carente de títulos e bons times há algumas temporadas, mas, o horizonte amplamente favorável que se apresenta em 2015 deixa nossos tifosi ainda mais afoitos, afinal, com time bom, boa coisa vem.

O assunto da semana no clube é a estreia de uma de nossas principais contratações, o volante Arouca. O camisa 5 será titular diante do Capivariano após um longo período de treinamentos físicos e táticos. Para sua entrada, Alan Patrick, que vem melhorando, é verdade, será sacado. Robinho volta à sua posição de origem e Arouca faz a dupla de volantes com Gabriel, outra de nossas grandes aquisições.

Se pensarmos um pouco a médio prazo, Oswaldo terá em mãos um meio campo extremamente bem qualificado, já que Valdívia e Cleiton Xavier logo estarão à disposição. Na cabeça do nosso técnico, penso eu, a questão é como ele vai encaixar tantos bons jogadores juntos, sem prejudicar o equilíbrio da equipe.

Fato é, que na maioria das formações disponíveis com este elenco, veremos jogadores que sabem jogar. Jogadores com técnica, boa noção tática e disposição para jogadas ofensivas.

É um dilema, sim, pois Robinho é o melhor atleta do clube neste início de ano, primordial no 4-2-3-1 de Oswaldo. Quando tivemos as entradas de CX8 e El Mago, quem vai sair? No sábado, entraremos em campo com Arouca, Gabriel, Allione, Robinho e Dudu na meiuca. Agora, façam um exercício mental e pensem em como montar essa equipe com as entradas dos dois craques do time. Difícil, né?

Contudo, sabemos que ainda há muito tempo para que isso ocorra, mas, não podemos deixar de destacar que este dilema por qual nosso treinador passará há tempos não acontecia no Palmeiras. Sinal de que os bons tempos estão voltando ao Verde.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

EDITORIAL: Palmeiras, Alexandre Mattos e o estilo Moneyball de gestão

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Caro leitor palestrino,

O Palmeiras é o grande nome do futebol brasileiro neste início de 2015. Com a recente contratação do atacante Kelvin, do Porto, já são 14 os reforços confirmados pela nova diretoria de futebol para esta temporada. Muitos se perguntam de onde vem o dinheiro e como as indicações e negociações têm sido realizadas. Fato é, que a mudança de postura é notória. Se vai dar certo dentro de campo, é outra história.

O estilo adotado por Paulo Nobre, Alexandre Mattos e Cícero Souza me lembra – e muito – a um filme muito bom que retrata bem a vida de um “manager” esportivo. Trata-se da película “Moneyball”, de 2011, protagonizada pela estrela de Hollywood, Brad Pitt, e inspirada no livro de mesmo nome. Neste longa, Pitt interpreta Billy Beane, gerente geral do time de baseball Oakland Athletics.

Durante a trama, Beane tem a missão de transformar a equipe, que vem em uma temporada medíocre, em algo mais competitivo, vencedor. Juntamente de um especialista em análise de desempenho, o gerente dispensa jogadores tidos como estrelas e medalhões e contrata atletas que possuem algumas das melhores médias da MLB, como percentual de arremesso e devoluções, corridas e interceptações.

No Palmeiras, algo parecido está sendo feito. As contratações feitas por Mattos e Souza seguem essa linha quase que por completo. São casos, por exemplo, de Dudu, Gabriel, Robinho e Victor Hugo, pra não citar outros. Dudu foi o jogador com o maior número de dribles certos na Série A em 2014, Robinho, o que mais acertou passes, Gabriel, o que mais desarmou e Victor Hugo, o que mais ganhou disputas de bola aéreas. Esse último, na Série B. Para não falar então de Zé Roberto que, aos 40 anos, mostra vigor físico de garoto e qualidade que está acima da média do futebol nacional.

O melhor de tudo, é que tirando as contratações de Dudu, Robinho e Leandro Pereira, todo o restante o Palmeiras não precisou desembolsar nenhum centavo. Quanto aos outros três, o investimento veio por meio do programa de sócio-torcedor, o Avanti, e parceria com empresários.

É sabido, também, que o Palmeiras terá um 2015 com austeridade financeira, graças ao trabalho feito por Paulo Nobre nos anos anteriores. O presidente cometeu erros tolos, é verdade, mas pouco do seu mérito pode ser visto agora. Mais nomes estão para chegar, como Arouca e Aranha, do Santos, e mais algumas especulações estão surgindo, como Guerrero, atacante do C*rinthians.

No filme de Brad Pitt, sua equipe chega à pós-temporada, mas perde. O que não tira seus méritos e também os holofotes. Cabe ao Palmeiras dar um final feliz à essa nova história que está sendo montada, com a ajuda de profissionais capacitados dentro e fora de campo.

Depois de um 2014 negro e turbulento, é possível que tenhamos um 2015 de luz e água limpa.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Moralmente rebaixados


São Paulo, domingo, 7 de dezembro de 2014. O relógio apontava 19h50. Os jogadores do Palmeiras já ouviriam o apito final da última partida da temporada e começavam a caminhar em direção aos adversários do Atlético-PR para a tradicional troca de camisas.

Poucos minutos depois, um misto de alívio e indignação toma conta das arquibancadas do Allianz Parque. Era o gol de Thiago Ribeiro, do Santos, que nos salvaria de um vexame ainda maior naquele fim de tarde. Num piscar de olhos, a raiva tomou conta dos torcedores presentes, que usufruíram de todos os benefícios acústicos da arena para xingar nominalmente, um a um, todos os protagonistas do vergonhoso ano de 2014. Inclusive, o maior responsável e pai de todos eles: Paulo Nobre.

O futuro-velho-presidente pôde acompanhar, literalmente, de camarote - e pela segunda vez! -, a tragédia de time que conseguiu montar. Nunca na gloriosa história dessa agremiação houve uma equipe tão ruim nos representando. Valdívia é meio time e Prass preenche os outros 50%. Há alguns bons valores, mas que ainda devem levar algum tempo para atingir o amadurecimento. O resto é resto. É lixo. É pra jogar fora.

A alegria era sentimento raro naquele ambiente e a comemoração se restringia a poucos. Caso a TV fosse ligada naquele momento, muitos poderiam ser levados a acreditar que o Palmeiras havia sido rebaixado. De fato, não fomos. Mas, moralmente, é como se tivéssemos experimentado a sensação de estarmos na Série B. É como se tivéssemos percorrido toda a segunda divisão em questão de minutos. A vergonha pelo rebaixamento era a mesma. A sorte esteve ao nosso lado. Apenas isso, sorte!

Sorte que Nobre teve ao ser presenteado com mais dois anos de sobrevida, período que promete ser negro para ele. Por mais que a situação financeira tenha se aliviado, a pressão no futebol ganhou ares incontornáveis. Não há mais espaço para a incompetência. Vimos e sentimos, de muito perto, o quão caro ela pode custar.

Custou a grandeza de boa parte da nossa torcida. Hoje, muitos almejam títulos, claro, mas já se contentam com uma participação mediana em todas as competições. Pois é, as péssimas gestões nos últimos anos nos transformaram nisso: em torcedores de meio-de-tabela, com o discurso pobre e vazio do "pelo menos não fomos rebaixados".

Essa é a triste realidade de um clube que vive de promessas e ilusões. Que permanece no Século XX como o maior vitorioso de todos e se acostumou a conviver no Século XXI entre os perdedores.

Queiram acreditar ou não, moralmente já fomos rebaixados.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Palma, palma, não priemos cânico!


Como havia dito na semana passada, a partida que nos interessava - ou a partida que selaria de vez as nossas pretensões neste campeonato - não foi aquela que eu e vocês vimos às 19h30 do último sábado. Ela aconteceu mais tarde, às 21h, e a derrota do Vitória por 4x0, por mais amarga que possa ter sido - aliás, não é fácil torcer pelo Flamengo e nem por Márcio Araújo - fez brotar um sentimento de esperança e alívio nos corações dos quase 18 milhões de palestrinos.

Apanhar do Internacional, em pleno Beira-Rio, era mais do que certo. Os diferentes objetivos na tabela representavam as abissais diferenças entre as duas equipes. Enquanto o Inter brigava pela vaga na Libertadores, o Palmeiras brigava - e ainda briga - para não cair. O resultado não poderia ter sido outro: 3x1 para os gaúchos com tremenda facilidade.

Desnecessário analisar tática e tecnicamente nossos jogadores, concordam? Importante, mesmo, foi o fato do Flamengo ter nos dado mais alguns dias de sobrevida na tabela. Chegamos para a última rodada sem moral alguma, mas apenas dependendo de nossas forças. Talvez aí esteja a preocupação. Talvez aí esteja a solução. Não sei, não quero saber. Só torço para que o Palmeiras ganhe.

Ademais, espero que a partida do próximo domingo seja um marco para o início de uma nova era na vida desse clube. Espero pela vitória, mesmo que magra, por 1x0, para nos livrar de mais um vexaminoso rebaixamento. Espero que seja a última partida de uma dezena de jogadores com a nossa camisa. Espero que a paz reine no estádio.

E espero que Paulo Nobre aprenda com os muitos erros dessa primeira gestão. Até porquê, amigos, espero não ter de passar mais dois anos ouvindo justificativas esdrúxulas da boca do nosso presidente, por erros que, teoricamente, teriam sido cometidos de maneira bem intencionada.

Apenas um errava "sem querer querendo". E ele, infelizmente, já não vive mais entre nós.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

EDITORIAL: Valdívia e seu discurso "chute no vácuo"


Poucos jogadores nasceram com a capacidade de causar sentimentos tão antagônicos como Valdívia. Detentor de um talento ímpar, viu sua carreira estagnar pela falta de comprometimento e maturidade, e desde que voltou, em 2010, vive uma relação de amor e ódio com a torcida do Palmeiras - em certos momentos, as duas coisas juntas. Apesar de tanto descrédito, uma coisa é certa: sempre que o chileno abre a boca, deixa a sinceridade falar mais alto. A personalidade nunca lhe faltou. E os jornalistas sabem disso.

Por isso, na tarde de hoje, em entrevista coletiva realizada na Academia de Futebol, Valdívia foi cutucado e deu outro show de opiniões contundentes, principalmente quando questionado sobre a vida política do clube. Nas entrelinhas, colocou Nobre e Pescarmona no mesmo saco, deixou claro não ter mais expectativa alguma sobre as promessas feitas por ambos e escancarou a incompetência da atual diretoria com a montagem desse elenco.

Somente uma frase da entrevista renderia páginas e páginas de observações. Ela diz muito mais do que apenas aquilo que lemos num primeiro passar de olhos. É o que apelidei de "discurso chute no vácuo". Valdívia tem esse dom. De maneira sutil, indireta, provoca e causa a ira do seu alvo. E é apenas nessa frase que quero me ater e debater com vocês. Ela, sozinha, vale a entrevista toda. Confiram na íntegra:

"Pelo o que Paulo (Nobre) e (Wlademir) Pescarmona estão falando, querem formar um time forte. Mas todo ano é a mesma coisa. O papo é o mesmo: equipe forte, que dispute títulos, com jogadores... Não é questão de trazer Messi e Cristiano Ronaldo, mas tem que ter elenco para um jogador só não levar a responsabilidade. Concordo com tudo o que estão falando de time grande, de fazer contratações do tipo que estão falando; mas, às vezes, isso não garante título. O Cruzeiro contratou muito pouco e foi campeão de novo. O Atlético-MG perdeu grandes jogadores, mas tem elenco de qualidade".

Vamos por partes. Primeiro, Valdívia enfia dois dedos na ferida quando fala sobre as promessas dos candidatos. Ele tem razão. Todo ano é a mesma coisa. É projeção ante projeção seja por quem quer que esteja no comando do clube. E acreditem, amigos, as coisas dão errado não por falta de vontade, mas, sim, de competência!

Por isso, esqueçam! O Palmeiras, de novo, não vai montar um time forte para 2015. É uma utopia acreditar que disputaremos qualquer título no próximo ano. Teríamos que reformular 90% da nossa equipe para deixá-la, no mínimo, competitiva. E quem joga por terra todas as esperanças é o próprio Paulo Nobre, quando diz ter uma espinha dorsal montada. Cadê, presidente? Juro que não consigo enxergar a tal espinha nesse amontoado de mais de 40 jogadores. Paulo Nobre não vai contratar uma dezena de bons jogadores. Portanto, 2015 poderá até ser melhor do que 2014, mas bem longe do que acreditamos ser o ideal para o Palmeiras: a briga por títulos.

No segundo trecho, Valdívia aborda a questão da responsabilidade técnica concentrada em apenas um jogador. Ele também está coberto de razão. Ainda mais quando o tal "craque" não entra em campo em 50% das partidas da sua equipe. Nesta parte, o camisa 10 refere-se a si mesmo. Passa o recado de maneira sutil, mas direta. Está cansado da incumbência de ser o "salvador da pátria", de ver elenco atrás de elenco sendo montado em torno dele. 

Não é assim que se monta time, presidente. Não é assim que se ganha campeonato, capiscePor isso amargamos péssimas campanhas nos últimos anos. Pela bilionésima vez: NÃO PODEMOS CONTAR COM VALDÍVIA! É o próprio chileno quem dá o recado! Ele resolve 90% das partidas quando joga, mas nunca joga! Então, Paulo Nobre, de novo: vira a página e vai atrás de outro jogador, caspita! Esquece o Valdívia!

No terceiro trecho, o Mago cita o Cruzeiro como exemplo de planejamento, pois buscou bons jogadores a custos baixos. Traduzindo a frase, ele quis dizer: "Paulo Nobre, seu incompetente". E ele também tem razão quando diz isso, porque o Palmeiras encerrou 2013 com uma boa base, mas que foi desmontada em pouco menos de seis meses pelo piloto de rali.

Duas dessas negociações foram primordiais para a realidade que vivemos hoje. A primeira, a venda de Henrique três meses antes de ele ser convocado para a Copa do Mundo, por conta de um cobrança de valores atrasados. Puro ego ferido. Já a segunda, mais inacreditável ainda, expôs o clube a um vexame nacional no que ficou conhecido como a "Operação Passa-Moleque", quando perdeu Alan Kardec por míseros R$ 5 mil (sim, foi esse mesmo o valor!) para os tricoloressexuais. Essas duas mexidas foram o suficiente para desmoronar tática e tecnicamente a equipe, que dependia demais de ambos para funcionar. Foi um tiro de bazuca no próprio pé!

Por último, amigos, o trecho final, em que Valdívia dá a receita de sucesso do Atlético-MG: "elenco de qualidade". Traduzindo, elenco de qualidade briga por títulos e Libertadores, elenco sem qualidade não briga por nada e corre risco de rebaixamento. Traduzindo mais ao pé da letra: o Atlético-MG tem elenco de qualidade, o Palmeiras tem elenco sem qualidade.

Se Valdívia é excepcional dentro das quatro linhas, é melhor ainda nas entrelinhas.