sexta-feira, 17 de abril de 2015

O caminho para a vitória

Caro leitor,

O jogo mais importante do ano se aproxima e algumas incertezas ainda pairam sobre a montagem do time que enfrentará “eles” no próximo domingo. Contudo, creio que o que vem acontecendo nos últimos treinamentos é o que veremos em campo, salvo a ausência de Zé Roberto, que faz tratamento intensivo para poder jogar.

Com uma realidade técnica bem diferente da do ano passado, entramos em um derby com boas chances de vitória, mesmo com o nosso adversário vivendo um momento melhor e jogando sob “seus” domínios. O jogo no Estádio Municipal de Itaquera tende a ser tenso, mas bem jogado, dada a qualidade técnica de ambas as equipes.

A chave para a nossa vitória, penso eu, passa pelos pés de Valdívia e Dudu. Dentre os 11 titulares, são os dois com maior capacidade técnica e psicológica para decidir. Dudu, como mostrou no jogo contra o SPFC, gosta de um confronto grande. O mesmo vale para o chileno. E são esses dois quem vão atrair a maioria dos marcadores adversários neste confronto, abrindo espaço para outros nomes, como Robinho, o melhor meia do campeonato até aqui, e Rafael Marques, que vem demonstrando uma melhora incrível desde sua última passagem pelo Palestra Itália, em 2004.

A ansiedade já toma conta da torcida – e penso que dos jogadores também – devido a grandiosidade do Derby. Mas, além disso, a ansiedade aparece porque depois de algum tempo vamos mandar a campo um time muito forte, com muitos jogadores com capacidade para decidir. Esta partida pode significar o início de um novo momento no Palmeiras. Um momento onde devemos voltar às cabeças, voltar à briga por títulos.

O contexto dado por Oswaldo de Oliveira é cirúrgico: se perdermos, não será o fim do mundo. De fato, não será mesmo. Mas bons trabalhos, mesmo no início, precisam passar por alguns episódios-chave. Esse é um deles.

Avanti!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Choque-Rei: o meu primeiro clássico

Desde muito novo vou a estádios de futebol. Antes, quando criança, ia com o meu pai, na época ainda torcedor fervoroso do Palmeiras, assim como eu. Hoje, vou sozinho, como torcedor e também jornalista. Poucos são os jogos que me deixam nervoso, ansioso. Mas, nenhum talvez como Palmeiras e São Paulo, conhecido da crônica esportiva como o “Choque-Rei”.

Esse jogo foi o meu primeiro clássico. Lembro-me como se fosse ontem. Foi no dia 18 de Abril de 1999, em jogo válido pelo Campeonato Paulista. O Palmeiras, treinado por Luiz Felipe Scolari, iria a campo com o time misto, mas que ainda sim contava com grandes jogadores como Evair, Alex e Galeano. Do outro lado o São Paulo, que tinha França, Dodô, Serginho e, claro, Rogério Ceni.

Mesmo as 16h, fazia um frio espantoso em São Paulo. Os termômetros do Morumbi marcavam 12ºC. Mas, dentro de campo, o jogo foi quente, muito quente. Um 4x4 eletrizante, com direito a duas viradas, gol olímpico, de falta e até de goleiro. (Sim, RC fez de pênalti). Não temos mais clássicos como aquele.

Palmeiras e SPFC fazem o que é, na minha opinião, o confronto com rivalidade mais qualificada do Estado de São Paulo. Explico. Desde as longínquas décadas passadas, essas equipes travam duelos épicos dentro mas, principalmente, fora de campo. Quem não sabe da fatídica tentativa dos tricolores de tomar à força o Estádio Palestra Itália das nossas mãos, durante a II Guerra Mundial? E do abandono do jogo, na final do Paulista de 1942, data em que comemoramos a Arrancada Heróica?

Há uma incrível rusga entre esses clubes há anos e, me parece, está sendo revivida  desde o ano passado, quando Alan Kardec decidiu “pular o muro”, ou, para os mais provocativos, “sair do armário”. Os casos Dudu e Crefisa apimentaram ainda mais a rivalidade extra-campo, que é protagonizada pelos presidentes Paulo Nobre e Carlos Miguel Aidar.

Dentro das quatro linhas ambas equipes não venceram clássicos nesta temporada e se veem obrigadas a vencer hoje, não só pela honra e pela tradição, mas também pela pontuação geral do Campeonato Paulista, que prevê o “pior” classificado entre os três grandes da Cidade jogando fora de casa nas quartas de final. Muitos ingredientes para este jogo, que promete ser dos melhores da temporada.

Assim como no meu primeiro Choque-Rei, vou para o de hoje com um imenso frio na barriga e com uma grande expectativa por nossa primeira vitória em um clássico em 2015, ainda mais, na nossa nova casa. Que a rivalidade desse jogo permaneça sempre, mas nas quatro linhas e no âmbito esportivo, sem violência.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Pai, cadê o Valdivia?

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Caro leitor,

Sinceramente, não gostaria de escrever esse texto. Mas, como jornalista e, claro, como palmeirense, me vejo na obrigação de fazê-lo. Afinal é pra isso que eu nasci e é pra isso que eu vivo.

Como de costume, fui ao Allianz Parque para acompanhar a mais uma partida do Palmeiras, esta diante do XV de Piracicaba. O dia era um pouco atípico, principalmente por causa do horário da partida (11h) e, também, por questões particulares: era aniversário da minha falecida avó Maria. Infelizmente ela era c*rintiana, mas, sempre foi uma entusiasta da minha paixão pelo Palmeiras e sempre o respeitou muito, ao contrário do jogador central desse relato: Jorge Valdivia.

Ao me sentar na cadeira do nosso estádio, observo bem o perfil do público, como tenho feito corriqueiramente. Fiquei muito feliz ao ver MUITAS crianças e famílias. Esse, talvez, seja o principal legado das novas arenas pelo Brasil. O ambiente é mais propício para esse tipo de programa familiar.

Bem abaixo de mim, na fileira R do setor Cadeira Gol Sul, vi um pai com seu filho. Empolgado, parecia ver o Palmeiras pela primeira vez. Olhava para cada canto do Allianz Parque com um olhar encantado, mas também espantado. Quando o Palmeiras sobe para o campo, o menino pula no colo do pai e dá berros de emoção. É uma festa só. Isso, logo depois, meus amigos, se transformaria em algo perturbador e reflexivo. Após cinco minutos de jogo, o menino pergunta:

- Pai, cadê o Valdívia?

O Pai, atônito e desapontado, responde:

– Filho, o Valdivia não está jogando. Está machucado.

-  Mas, Pai… eu vim para ver o Valdivia. Ele joga muito, ele é legal, ele arruma encrenca.

Arrancando risos de quem estava ao seu lado  - inclusive o meu.

Imediatamente, o Pai começou a explicar para o seu filho, meio sem saber o que fazer, os motivos pelos quais Valdivia não estava em campo e não estaria tão cedo. Na hora, pensei comigo mesmo, que nesse mesmo momento, outros filhos e pais estávam tendo o mesmo diálogo. Cruel.

A torcida do Palmeiras é espetacular. Outras por aí levam a alcunha de fiel, mas duvido que sejam tão apaixonadas e que defendam tanto um clube como a nossa. Mas, a torcida também comete falhas. Não premeditadas, mas induzidas, como é o caso de Valdivia.

O chileno ganhou status de ídolo por sua habilidade, seu carisma, mas também pelo péssimo momento vivido pelo Palmeiras na última década. Com o clube carente de grandes equipes e jogadores, coube ao “Mago” assumir a responsabilidade e dar um pouco de esperança à massa alviverde.

Em vias de renovar – ou não – o seu vínculo com o clube, Valdivia é constantemente avaliado, por todos os lados: mídia, diretoria, torcida e até pelo elenco.

Falo por mim quando digo que sou fã do futebol de “El mago”, mas sou consciente, e sei que hoje – e há algum tempo – não existe mais magia, a não ser a do desaparecimento. Assim como esse garoto, eu queria ver Valdívia em campo, mas não o vi nenhuma vez nesta temporada, em decorrência de um agravamento de sua lesão na coxa, por conta das partidas finais da temporada passada.

É possível que o vejamos na reta final do Paulistão, mas, até quando? Até uma próxima lesão? Até uma próxima convocação? Ou até um próximo migué?

O jogador precisa entender, de uma vez por todas, que existem pessoas, assim como eu, que acreditam no seu potencial. Mas, não é de hoje que Valdívia, no alto dos seus 31 anos, não se mostra um sujeito com caráter em dia. Muitio pelo contrário. Mesmo com o susto que levou há anos atrás com um sequestro, ele não parece ter aprendido.

A situação hoje é que o Palmeiras não se vê mais na necessidade de manter Valdivia em seu elenco, que foi totalmente reformulado. O jogador, por sua vez, tem propostas, mas, declara amor ao clube e já sinalizou que quer permanecer. Só há uma pessoa no Verde que faz questão do Mago, o presidente Paulo Nobre. Nobre tem dentro de si aquela alma de torcedor ainda, e, como tal, sabe que grande parte da coletividade palestrina ama o chileno.

Foi no amor e na dor que Valdivia ganhou o carinho do Palmeirense, mas, foi no desleixo que esse amor é colocado à prova.

Os próximos dias serão decisivos para uma permanência ou não. Tudo leva a crer que teremos uma novela. Mas, o que seria um final feliz?

Eu não sei. Mas, para esse e tantos outros garotinhos e garotinhas, pais e mães, o final feliz seria com Mago dentro de campo.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Um jogo de saudade

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Caro leitor,

Durante anos e anos, Palmeiras e Santos faziam os melhores jogos do futebol brasileiro. De um lado, a máquina comandada por Pelé, de outro, as Academias de Futebol comandadas por Ademir da Guia. Podemos dizer, diante do atual cenário, que este duelo é um duelo saudoso, e que traz lembranças memoráveis aos torcedores e aos amantes do futebol.

No entanto, falando específicamente do confronto de logo mais, na Vila Belmiro, Santos e Palmeiras reúnem alguns ingredientes que podem trazer um misto de ódio e saudade. No elenco do Verde, nomes tiveram passagem importante pelo Peixe, alguns deles, inclusive, com títulos importantíssimos.

São eles Arouca, Robinho, Zé Roberto, Aranha, Alan Patrick, Maikon Leite e Oswaldo de Oliveira. Ah, e sem falar de David Braz, que jogou por aqui no início da carreira. O futebol exige o máximo de profissionalismo possível dentro de campo, mas não é novidade, quando um jogador visita seu ex-clube, que haja essa mistura de sensações. Tanto de um lado, quanto de outro. A roda do futebol gira a todo momento.

O Campeonato Paulista nem de longe é um parâmetro para análises técnicas e táticas, mas nos proporciona episódios como este de hoje. O clássico, que considero como o mais charmoso de São Paulo, exala nostalgia e tradição, mas hoje (será que é só hoje?) também vai trazer a saudade.

Que Pelé e Ademir inspirem os atletas de hoje e que tenhamos um espetáculo que, em alguns anos, nos faça ter saudade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O (bom) dilema de Oswaldo

Caro leitor palestrino,

Com o passar das rodadas e dos trabalhos, o Palmeiras vai ganhando corpo, “cara” de equipe. Todos sabemos que o início não seria fácil. Mesmo com a qualidade dos jogadores que aqui chegaram (foram 19 ao todo), tornar esse grupo um TIME demandaria tempo e muita, muita paciência. Não só nossa, mas também da imprensa e, claro, do nosso treinador, o simpático Oswaldo de Oliveira.

O torcedor do Palmeiras está carente de títulos e bons times há algumas temporadas, mas, o horizonte amplamente favorável que se apresenta em 2015 deixa nossos tifosi ainda mais afoitos, afinal, com time bom, boa coisa vem.

O assunto da semana no clube é a estreia de uma de nossas principais contratações, o volante Arouca. O camisa 5 será titular diante do Capivariano após um longo período de treinamentos físicos e táticos. Para sua entrada, Alan Patrick, que vem melhorando, é verdade, será sacado. Robinho volta à sua posição de origem e Arouca faz a dupla de volantes com Gabriel, outra de nossas grandes aquisições.

Se pensarmos um pouco a médio prazo, Oswaldo terá em mãos um meio campo extremamente bem qualificado, já que Valdívia e Cleiton Xavier logo estarão à disposição. Na cabeça do nosso técnico, penso eu, a questão é como ele vai encaixar tantos bons jogadores juntos, sem prejudicar o equilíbrio da equipe.

Fato é, que na maioria das formações disponíveis com este elenco, veremos jogadores que sabem jogar. Jogadores com técnica, boa noção tática e disposição para jogadas ofensivas.

É um dilema, sim, pois Robinho é o melhor atleta do clube neste início de ano, primordial no 4-2-3-1 de Oswaldo. Quando tivemos as entradas de CX8 e El Mago, quem vai sair? No sábado, entraremos em campo com Arouca, Gabriel, Allione, Robinho e Dudu na meiuca. Agora, façam um exercício mental e pensem em como montar essa equipe com as entradas dos dois craques do time. Difícil, né?

Contudo, sabemos que ainda há muito tempo para que isso ocorra, mas, não podemos deixar de destacar que este dilema por qual nosso treinador passará há tempos não acontecia no Palmeiras. Sinal de que os bons tempos estão voltando ao Verde.