segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Enfim, adeus.

Caro leitor,

Hoje é um dia histórico na vida da Sociedade Esportiva Palmeiras. Após cinco anos (sete, se somarmos a primeira passagem), Jorge Valdivia deixará o Verde definitivamente. Ao todo foram 147 jogos, com 17 gols marcados e ausência em mais de 57% das partidas. Números que, definitivamente, não deixarão os palestrinos com saudades de El Mago.

Dotado de uma técnica fora do comum, Valdivia foi açoitado por suas lesões e falta de comprometimento nesses cinco anos em que esteve no clube que ‘ama’. Ninguém é louco de questionar sua capacidade, mas, fica óbvio que o que o atrapalhou, sem dúvida, foi ele mesmo. O defendi inúmeras vezes justamente por ser fã de sua habilidade e irreverência com a bola nos pés, mas os números mostram por si só: Valdívia foi um verdadeiro fiasco.

Sempre que tenho a oportunidade de discutir sobre ele, faço questão de ressaltar todo o tipo de viés, mas, por diversas vezes, me vi refém do próprio camisa 10. Para o bem e para o mal. E esse foi o maior erro do Palmeiras nesses últimos anos. Ser refém de Valdivia é inadmissível e arriscado, como se comprovou. Poucos títulos, queda para a série B e perda do prestígio.

Mas aí o leitor pergunta: só temos podres de El Mago? Não. Até para romantizar um pouco, me faço repetitivo. Sou fã do futebol do chileno. Nas (poucas) vezes em que esteve em campo, Valdivia quase sempre ‘resolvia’. Ele é o tipo do jogador em falta no futebol mundial. O camisa 10 clássico. Aquele em que a bola vem toda torta, “tchonga”, e que amacia, coloca no terreno e ajeita o time. Valdivia, na maioria das vezes, controlava o jogo conforme a sua vontade, e isso, somado ao péssimo momento vivido pelo Palmeiras, o deu plenos poderes. Quer conhecer uma pessoa de verdade? Lhe dê o poder. Não deu outra. A real faceta de Valdivia apareceu.

Alcoolatra confesso, o Mago, por diversas vezes, foi acobertado pelo departamento médico do Verde para não dar mais “xabu”. Para quem frequentava o Palestra Itália, o Pacaembu e o Allianz Parque, sabe o quão Valdivia é amado pelas crianças. Eu é que não queria estar na pele dele caso esse caso tivesse vindo à tona antes. A alcunha de ídolo nunca foi tão controversa.

Por essas e outras, ressalto e rotulo Valdivia como um fenômeno. Nunca vi um atleta ser tão amado e odiado ao mesmo tempo e na mesma proporção como Jorgito. Por obrigação, não posso deixar me levar pela emoção, então, sempre fui mais analista do que ‘advogado do diabo’. Mas, chega uma hora que fica difícil defendê-lo. E eu, como amante do esporte, fã de seu futebol e torcedor do Palmeiras, rezava para que esse dia, o dia em que eu tivesse que parar de tentar defendê-lo chegasse.

Não satisfeito, próximo a esse dia, ele chegou a negociar com o seu maior rival dentro de campo, o São Paulo Futebol Clube. Uma das poucas alegrias que Valdivia proporcionou ao palmeirense (e, quiçá, ao brasileiro) foi ser algoz de Rogério Ceni por algumas vezes. Não só isso. O Mago fazia o capitão são paulino sair da linha. Por pouco ele não jogou tudo isso no lixo, junto com o que lá já está, que é a sua carreira.

Valdivia é o maior desperdício de talento dos últimos 10 anos no futebol brasileiro e sul-americano. E isso é um crime contra o esporte. A saída de El Mago se daria no dia em que o Palmeiras tivesse um elenco capaz de jogar sem ele. Com a boa adminstração de Paulo Nobre e Alexandre Mattos, esse dia se tornou palpável e hoje, como podemos ver, ele está saindo, e pela porta dos fundos.

Não odeio Valdivia. Pelo contrário. Mas também não o amo. Não sentirei saudades, mas também terei na minha memória momentos de extrema felicidade que esse jogador me proporcionou. Torço para que ele tenha sucesso no que lhe resta de vida esportiva, mas agradeço por ele, finalmente, nos deixar em paz, me deixar em paz, deixar o Palmeiras em paz.

O adeus, enfim, chegou.

Adeus, Valdivia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O meu Palmeiras x Flamengo favorito

Caro leitor,

Todo amante de futebol que se preze tem o seu jogo ou momento favorito. Confesso que não sei dizer qual exatamente é o meu, mas, este que vamos destacar hoje é, sem dúvida, um dos mais emocionantes confrontos que pude presenciar in loco.

O dia 21 de Maio de 1999 nos reservava uma partida épica entre Palmeiras x Flamengo, duas das maiores equipes do futebol mundial e que fazem um clássico dos mais vencedores do futebol brasileiro. Naquele dia, em específico, travaram o que para muitos foi o jogo mais emocionante da história recente do esporte.

A Copa do Brasil era mais ou menos no mesmo formato que era hoje, com os gols fora de casa valendo mais no critério de desempate. Na primeira partida das quartas-de-final, vitória do Rubro-Negro por 2x1, no Maracanã, após um jogo muito disputado e que fora “definido” nos últimos momentos, com um gol salvador de Paulo Nunes, que daria uma esperança a mais para a volta em São Paulo.

Eu não esperava que iria a esse jogo. Normalmente, às quartas-feiras, eu não poderia dormir tarde pois acordaria cedo para a escola no dia seguinte. No entanto, numa atitude um tanto birrenta, meu Pai apareceu de sopetão para me levar ao jogo. Fazia um baita frio, mas, tratei de pegar o meu agasalho do Palmeiras e me mandei com ele para o antigo e saudoso Palestra Itália.

Mesmo com a Copa do Brasil em segundo plano (o Palmeiras estava às vésperas de ser campeão da Libertadores), a ordem de Felipão era se classificar. Me lembro, também, que esse foi o primeiro uniforme da volta da famigerada Rhumell.

Como as entradas mais baratas haviam se esgotado, fomos de cadeira descoberta, hoje central oeste no Allianz Parque. Repito, fazia um frio desgraçado. Então, o frio na barriga não era o meu único companheiro naquela noite. Meu Pai e eu estávamos congelando, mas confiantes, como sempre, em uma vitória do Verde.

O Flamengo contava com grandes jogadores. Destaque para Rodrigo Mendes (autor de dois gols nesse jogo), Athirson, Beto e, claro, Romário. O Palmeiras era aquele esquadrão que tinha Marcos, Arce, César Sampaio, Alex, Paulo Nunes e, o herói daquela noite: Euller, que sempre que entrava, fazia estrago. Era o ‘filho do vento’.

Para se classificar para as semi-finais, o Palmeiras precisava vencer por 1x0, ou por dois ou mais gols de diferença. Mas, logo de cara, em um rápido contra-ataque, Rodrigo Mendes guardou o primeiro. O primeiro tempo seguiu com pressão do Verde, mas, sem sucesso.

Na volta, logo o empate, com Oséas. O Flamengo, novamente com Rodrigo Mendes, em uma bela cobrança de falta, fez o 2x1. O Palestra Itália se fez em silêncio. Parecia o fim àquela altura, mas, ninguém arredou o pé dali. Talvez pelo frio, talvez pela curiosidade mórbida. O roteiro estava escrito. Júnior, em um belo chute, empatou. Com o 2x2, se instalou o clima de guerra entre torcida, Palmeiras e Flamengo.

Felipão, corajoso, soltou completamente o time e o milagre começou a se formar. Após bate rebate na área, Euller empurrou para as redes e fez o 3x2. O Palestra Itália veio abaixo e, como em um passe de mágica, o frio foi embora. Era o prenuncio de que algo grande estava para acontecer.

A bola parada do Palmeiras naquela época era uma das mais mortais do Brasil, muito em função da qualidade de Arce, Rogério e Alex. Mas, do jeito em que a partida se apresentava, não tinha mais tática ou jogadas ensaiadas. Era meter a bola na cozinha e ver o que acontecia. Não deu outra. Mais uma confusão na pequena área de Clemer e Euller, impedido, testou pro fundo do gol.

Poucas vezes vi um grito de gol tão emocionado como naquele dia. Senti, mesmo novinho, que aquele jogo ficaria marcado pelo resto da minha vida palestrina. Saí de lá com história para contar e me sinto um privilegiado por dizer: eu fui naquele Palmeiras 4x2 Flamengo.

Que no próximo domingo, no Allianz Parque/ Palestra Itália lotado, o Palmeiras possa dar menos sustos, mas mais motivos para me orgulhar. Quero sair de lá com boas histórias.

Que assim seja.

Ficha técnica (Palmeiras 4 x 2 Flamengo)
Jogo de volta das quartas-de-final da Copa do Brasil.
Data: 21 de maio de 1999.
Local: Palestra Itália

Árbitro: Antônio Pereira da Silva (GO).
Palmeiras: Marcos, Arce (Euller), Roque Júnior, Agnaldo e Júnior; César Sampaio (Evair), Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Galeano). Técnico: Luiz Felipe Scolari.


Flamengo: Clemer, Pimentel, Fabão, Luiz Alberto e Athirson; Jorginho, Maurinho, Beto e Caio (Bruno Quadros); Rodrigo Mendes e Romário (Vágner). Técnico: Carlinhos.


Gols: Rodrigo Mendes (1'), Oséas (56'), Rodrigo Mendes (59'), Júnior (60'), Euller (86') e Euller (89').

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Qual é o verdadeiro Palmeiras?

Caro leitor,

O momento é para análise, reflexão e busca por soluções. A uma rodada do fim do primeiro turno, nossas pretensões para o título e para uma vaga no G4 estão abaladas devido à sequência de três resultados negativos. A derrota de 2x1 para o Coritiba parece ter sido a gota d’água.

O que mais preocupa não são apenas os números, mas a queda vertiginosa no rendimento da equipe, que chegou a ser apontada por muitos como a grande rival do Atlético na busca pelo título. A pergunta que fica no ar é: qual é o verdadeiro Palmeiras? Este das três derrotas seguidas, ou o que embalou uma sequência de oito jogos sem perder e com futebol vistoso?

Em que pese a ausência de Gabriel, nosso principal jogador, e a equipe ainda em formação, os últimos jogos são de dar medo até ao mais otimista palestrino. Domingo, o Allianz Parque estará lotado mais uma vez e a resposta precisa ser imediata, ainda mais diante de um clássico, como é Palmeiras x Flamengo.

Quero, portanto, destacar pontos relevantes que podem ajudar a explicar essa queda de produção. O principal deles, para mim, é o excesso de preciosismo de certos jogadores. O sucesso parece ter subido à cabeça de Egídio, Rafael Marques e Robinho. Este último, vem mal faz tempo e já merece esquentar o banco. Não dá, com todo o respeito, para jogar toda a responsabilidade pela ausência de Gabriel. Sabedores dessa perda, os jogadores precisam se doar um pouquinho mais para preencher esse vazio. Marcelo Oliveira, por sua vez, que molde o time novamente. Ainda há tempo.

A impressão que tenho é que esses atletas, em uma visão bem simplista, acham que não vão sair do time. O discurso é sempre muito alinhado e até gosto, que é o de “time que quer ser campeão não pode perder desse jeito”. Mas, o que estes senhores acham que estão fazendo em campo? É muito toque de lado, muito efeito, e pouca eficiência. No futebol de hoje, dedicação e seriedade é tudo.

O Palmeiras que vencia e convencia tinha como principal caractetística a intensidade. Jogadores saíam de campo estenuados, sujos, mas vitoriosos. Não podemos nos dar ao luxo de ir bem apenas nos jogos onde estamos pressionados, ou nos clássicos. Campeonato Brasileiro se ganha, MESMO, nos jogos “pequenos”. Marcelo Oliveira sabe bem disso. No bi do Cruzeiro, foi muito mal contra equipes do G4, mas, contra o restante, atropelava. Coincidência? Acho que não.

Mudanças são necessárias até que o nosso treinador consiga minimizar a ausência de Gabriel. Cleiton Xavier ainda está sem ritmo e contar com Zé Roberto durante os 90 minutos me parece arriscado. A coisa, inicialmente, vai ter que ser no papo. Uma vitória contra o Flamengo pode nos dar relativa tranquilidade. Uma derrota, a meu ver, instala a crise e coloca a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil em xeque.

Vamos aguardar e descobrir, ou redescobrir, o Palmeiras.

domingo, 19 de julho de 2015

Para encostar e consolidar


Caro leitor,

O clássico de hoje contra o Santos, por si só, já reúne ares decisivos e importantes devido à rivalidade entre os clubes, umas das mais antigas e qualificadas do cenário nacional. Finalistas do Campeonato Paulista, hoje essas equipes vivem momentos diferentes, o que em nada diminui a dificuldade do confronto para o Palmeiras, que vive melhor momento.

Com a vitória do C*rinthians sobre o Atlético-MG, a parte de cima da tabela deu uma ligeira embolada. No caso de uma vitória do Palmeiras, alcançaríamos os 25 pontos, quatro a menos que os rivais acima citados. Sport x SPFC é outro jogo que nos interessa, assim como Fluminense x Vasco.

Para o jogo de hoje, acima de qualquer pensamento nos pontos e colocação no certame, é necessário que o Palmeiras leve seu adversário a sério. Mesmo à beira de uma crise terrível e na zona de rebaixamento, o Santos possui talentos individuais em seu elenco que podem desequilibrar o jogo. Estamos mais encorpados, é verdade, mas, todo cuidado é pouco.

A escalação que Marcelo Oliveira pretende colocar me agrada. Apesar da falta de um meia armador clássico, um meio campo com Gabriel, Arouca e Robinho dá a segurança e qualidade na saída de bola que precisamos. Um meio com Zé Roberto, ao menos logo de cara, me soaria temerário. Também considero correta a opção por Leandro Pereira. Apesar de sabermos que Barrios logo será titular, o "Banana" tem sido muito útil à equipe.

Logo mais o Allianz Parque, que deverá receber seu recorde de público, pode presenciar um dos melhores jogos do Campeonato. 

Vamos torcer!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Do inferno à gloria: o Efeito Cristaldo



Caro leitor,

O bom momento vivido pelo Palmeiras no Campeonato Brasileiro pode ser explicado por várias frentes, diversos fatores. O principal, talvez, seja a chegada de Marcelo Oliveira. Óbvio que em apenas cinco jogos não são percebidas muitas mudanças, mas algumas foram primordiais para que as quatro vitórias seguidas fossem alcançadas. Algo que, no certame nacional, não ocorre desde 2009.

A leitura da atual fase da equipe passa, a meu ver, por Cristaldo. Artilheiro do time na temporada com 12 gols (4 deles no Brasileirão), “Churry”, como é conhecido o camisa 9, representa a mudança de mentalidade e a evolução técnica desse elenco. Não há mais espaço para falhas. Quem quiser um lugar no time, vai ter que começar a render. Com muita humildade e carisma, Cristaldo deu a cara à tapa e mostra serviço sempre que exigido. Conquistou o treinador e, definitivamente, não sai mais do clube.

O argentino é um dos remanescentes do que, para mim, foi o pior time da história centenária do Palmeiras. O inferno vivido no ano passado serviu para que vissemos quem, de fato, reunia algumas condições para vestir essa camisa gloriosa. Cristaldo, em pouco tempo e sob enorme desconfiança, conquistou a exigente torcida e rapidamente ganhou a alcunha de xodó, consolidada esse ano com ainda mais gols e bons jogos.

O torcedor sabe que Cristaldo não é craque. Creio que até ele o saiba. Mas as limitações vem sendo superadas e acredito que o “efeito Cristaldo” foi “criado”, digamos assim. As chegadas de Alecsandro e, depois, Lucas Barrios, parecem ter sido um dos combustíveis para o crescimento desse jogador que, hoje, é unanimidade. Se não na técnica, mas na imagem e na raça que ele despeja dentro de campo. O rapaz tem estrela e uma equipe vencedora precisa de alguém assim.

Cristaldo é o retrato do torcedor do Palmeiras hoje, que vive a expectativa de um bom ano. Que ele, assim como nós, possa desfrutar de glórias após um 2014 infernal.

Avanti, Cristaldo!