quarta-feira, 16 de julho de 2014

O adeus do Mago

Prejudicado pelas lesões (e por si próprio), Valdívia teve passagem conturbada pelo Verde

Caro leitor,

Passada a Copa do Mundo que, diga-se de passagem, foi espetacular, voltamos com nossas atividades aqui no Avanti Palestra. Estamos preparando uma reformulação total em nosso layout e linha editorial, e logo, logo vamos mostrar e compartilhar com vocês.

Pois bem, vamos ao que interessa: Valdívia, ou para muitos, El Mago, está deixando o Palmeiras. O destino será os Emirados Árabes e o Al Fujairah, que teve coragem de pagar módicos 7 milhões de Euros pelo jogador. Destes, 5 milhões vão para o Palmeiras, que dará pouco mais de 30% a Osório Furlan. Os outros 2 milhões são de uma multa paga ao Al Ahly, que previa em contrato que caso o chileno fosse negociado com outro clube do "Mundo Árabe", este valor deveria ser pago como forma de "multa".

Com a saída de Valdívia, além desta quantia que entra (e sai) nos nossos cofres, também há a economia com os salários do camisa 10, que giravam em torno dos R$ 500 mil. Tendo como base o futebol brasileiro e sua enorme deficiência técnica, não fosse o valor, talvez a venda de Valdívia não tivesse sido uma boa. Explico.

Precisamos de talento, caros amigos palestrinos. Por maiores que fossem os problemas de Valdívia, ele é, no meu modo de ver, um jogador raro hoje em dia. Com talento estrondoso, visão de jogo apurada e carisma, o chileno, sem dúvidas, fará falta por isso. Ou seja: precisamos de reposição urgentemente.

Ao todo foram 217 partidas pelo Palmeiras e 41 gols marcados. Valdívia foi campeão Paulista em 2008, da Copa do Brasil, em 2012 e da Série B, em 2013. Em sua segunda passagem, iniciada em 2010, El Mago teve muitos problemas com lesões, baladas, insatisfações, insegurança, medo e desinteresse.

Em campo, sempre, ou quase sempre, dava um jeito de ajudar o clube. Seja com um passe ou um drible. Em 2014, por conta da Copa do Mundo, Valdívia vinha sendo o principal jogador do time, com um bom desempenho e, sobretudo, longe das lesões. Ele até marcou um gol no Mundial, na vitória de 3x1 da seleção chilena sobre a Austrália.

Sou fã confesso do futebol de Jorge Valdívia, mas reconheço que suas passagens pelo Palmeiras poderiam ter sido muito melhores, não fossem seus problemas extra-campo. Claro que ninguém gosta de se machucar a todo momento, mas, em algumas situações, faltou comprometimento ao craque. Com um salário astronômico e status de ídolo, o chileno acomodou-se, e acabou ganhando o desafeto de muitos torcedores, principalmente das organizadas, que parou de receber sua "ajuda" outrora costumeira.

Valdívia vinha sendo importante no processo de reconstrução do clube, dentro e fora de campo. Sem ele, perdemos uma figura importante no ponto de vista do marketing, liderança técnica e elo de ligação entre a torcida, que fazia questão de gritar o seu nome nos jogos no Pacaembu.

Por essas e outras, volto a dizer, apesar dos valores, lamento sua saída.

Obrigado, Valdívia. Seja Feliz em sua jornada e encerre bem a sua carreira. O palmeirense gosta de você, nunca se esqueça!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Gareca, aposta mais do que válida



Caro leitor palestrino,

FECHOU! Ricardo Gareca é o novo técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras. O argentino de 56 anos assinou contrato até o fim de 2015, com ganhos mensais mínimos de R$ 200 mil, mais valores obtidos por meio das cláusulas de produtividade.

Logo após a saída de Gilson Kleina, Paulo Nobre e sua trupe começaram um verdadeiro processo seletivo para definir quem seria o novo treinador. Após conversas com Vanderlei Luxemburgo, Ney Franco (hoje no Flamengo), Tite e Dorival Júnior, o que mais agradou foi mesmo Gareca, e não foi só pelos valores empregados na negociação.

O ex-treinador do Vélez Sarsfield tem um perfil reconstrutor. Sob o seu comando, o Vélez foi três vezes campeão argentino em quatro anos, com a revelação de vários (e bons) jogadores. O estilo de jogo utilizado pelo treinador é muito agradável, com bom toque de bola e presença ofensiva contundente, além de uma bom sistema de marcação, típico dos argentinos.

O que animou Nobre e a diretoria, contudo, foi a facilidade de “El Tigre” em trabalhar com as categorias de base e também de conhecer MUITO o mercado sul-americano. A diferença de valores praticada no Brasil com relação aos nossos vizinhos é surreal, haja vista que o Racing, outro pretendente de Gareca, ofereceu “módicos” R$ 120 mil ao cabeludo. Quando o Palmeiras apareceu com R$ 200 mil, o clube de Avellaneda simplesmente desistiu do negócio. Hoje, a Argentina não consegue competir com o mercado brasileiro.

Além de suas características como treinador dentro de campo, Gareca é um conhecedor de futebol além de suas fronteiras, outra característica dos técnicos argentinos. Ele sabe, por exemplo, que perdemos Kardec e Henrique, hoje, jogadores da Seleção Brasileira. Pensando nisso, El Tigre já veio para o Brasil com uma lista de reforços e, SIM, terá liberdade total para indicar gringos. Os nomes? Esteban Cambiasso, Diego Milito e Pablo Mouche, só pra começar. Além do já comentado Lucas Pratto, atleta do Vélez, e que negocia com o Verde.

Penso que sua chegada deve ser tratada como uma aposta, mas uma BOA aposta. Com a sequência de bons resultados obtida por Alberto Valentim, a diretoria teve total tranquilidade para escolher o novo treinador. Com o bom momento, Gareca terá mais tempo para se adaptar, ainda mais devido à parada para a Copa do Mundo. Essa adaptação, porém, precisa ser tratada com muito cuidado e ter a ajuda de Valentim, que já se mostrou capacitado para exercer essa função.

Precisamos, agora, é de novos jogadores. A diretoria já começou com as dispensas e negociações. Tudo ficará mais claro quando o técnico for definido. Penso que Gareca também já sabe o que fazer.

Seja bem-vindo, Gareca!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Passou a faca


Caros, palestrinos.

Confesso que me sinto desconfortável para analisar o jogo de ontem. Não quero vestir a carapuça do tipo de torcedor acostumado a comer amendoim, mas fica difícil elogiar a equipe Alviverde depois da péssima partida realizada no estádio do Pacaembu, válida pela Copa do Brasil. E o pior, não se trata de um duelo em que saímos derrotados, ao contrário, vencemos por 3x0.

O placar elástico em nada resume o futebol praticado por Palmeiras e Sampaio Corrêa. Na maior parte do primeiro tempo e nos 15 minutos iniciais do segundo, a equipe do Maranhão foi superior e chegou, em certos momentos, bem perto de abrir o marcador. Wendel, Lúcio, Marcelo Olveira, William Matheus, Renato e Wesley batiam cabeça na marcação e deixavam por diversas vezes os jogadores adversários se infiltrarem e chegarem cara a cara com Fábio.

No ataque, Diogo era participativo, mas pouco produtivo. Mendieta, como sempre, mostrou talento em um ou outro lance e depois sumiu pelo resto do primeiro tempo. Wesley estava perdido e não sabia se caia pelos lados, auxiliava Renato na marcação ou apoiava os homens de frente. Henrique, isolado, não rende se a bola mal chega na área. E o pior de todos, Leandro, não fez o mínimo esforço para buscar o jogo. Prova disso foi que saiu de campo aos 16 minutos do segundo tempo sem uma gota de suor no rosto. E poderia ter saído antes do final do primeiro tempo, se não fosse a pipocada do árbitro, que puniu só com cartão uma cotovelada proposital do atacante.

A situação começava a fugir do controle e a torcida já diminuía o volume dos cânticos de apoio na arquibancada. Foi aí que Marquinhos Gabriel entrou e mudou o panorama. Os méritos vão para Alberto Valentim, que enxergou o jogo e deu novo ânimo à equipe. Duvidam? Em cinco minutos de Marquinhos Gabriel em campo, quatro chances foram criadas: aos 16 do segundo tempo, Mendieta raspou o travessão com chute a longa distância; aos 17, Diogo finalizou do bico da grande área para defesa de Rodrigo, que mandou para escanteio; aos 18, o próprio Marquinhos Gabriel aproveitou uma bola rebatida e finalizou cruzado; e aos 20, Mendieta novamente mandou outra bola na trave, de cabeça, após cruzamento preciso de Wendel – e no rebote Henrique ainda perdeu gol feito.

No minuto seguinte, o gol. Bola cruzada por Renato, disputada por Henrique no alto e colocada nas redes por Mendieta. Na comemoração, o camisa oito partiu em direção à arquibancada laranja e mandou um "cala a boca para dois ou três torcedores", como o próprio disse aos repórteres na beira do gramado. Reprovo totalmente a atitude.

O gol deu mais tranquilidade aos jogadores do Palmeiras. Faltava selar o caixão, que poderia ter acontecido aos 42 minutos, quando, em contra ataque, Wesley desperdiçou chance incrível frente a frente com o goleiro adversário. Displicência total!

Mas como o Sampaio Corrêa havia se lançado todo ao ataque, o que não faltaram foram espaços para o Palmeiras armar contragolpes. E aos 45 minutos, um deles foi fatal. Marquinhos Gabriel conduziu em velocidade pela esquerda e cruzou para o artilheiro Henrique, que só teve o trabalho de dominar a bola, tirar do goleiro, fazer o gol, passar a faca na garganta do adversário e liquidar a fatura.

Ainda sobraram alguns minutos decorrentes da cera que os atletas do Sampaio Corrêa fizeram no segundo tempo, para Felipe Menezes entrar e marcar o seu, também depois de um contra ataque.

Festa pela vitória? Não. A torcida deixou o Pacaembu feliz, porém preocupada. A partida só expôs mais uma vez o que já estamos cansados de saber: falta qualidade nesse time. O resultado foi construído na base do sacrifício, diante de uma equipe com nível técnico bem abaixo do que iremos enfrentar até dezembro. A situação é preocupante.

É o momento de torcer por bons reforços. E de rezar.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PRÉ-JOGO: Palmeiras x Sampaio Corrêa


O Palmeiras entra logo mais em campo, às 22 horas, para um confronto relativamente fácil, mas com ares de decisão. O adversário é o modesto Sampaio Corrêa, responsável por nos aplicar 2x1 no jogo de ida e sacramentar o fim do trabalho de Gilson Kleina à frente do Alviverde. Basta vencer pelo placar mínimo que estaremos nas oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Com o esquema 4-3-3 do último jogo mantido, o time que nos representa hoje não conta com Fernando Prass (operado) e Valdívia (convocado). Fábio será mantido no gol, após boa atuação no Maranhão, enquanto o paraguaio Mendieta ganha nova oportunidade no meio.

O interino Alberto Valentim terá como principal missão não deixar a equipe esmorecer psicologicamente, caso o gol não seja anotado nos primeiros 45 minutos da partida. Até porque, palestrinos, o Sampaio Corrêa deve assumir a condição de time pequeno e partir para o duelo com o goleiro e mais dez zagueiros. O técnico Flávio Araújo, inclusive, deve até acender algumas velas no vestiário para Celso Roth e subir ao gramado com a foto de Tite presa a uma correntinha no pescoço.

Cabe aos jogadores atuarem com seriedade, sem se importarem com a estratosférica diferença que há entre os dois clubes. Se a postura em campo for essa, o resultado surgirá com naturalidade.

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS X SAMPAIO CORRÊA

Local: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data/Horário: 14 de maio de 2014, quarta-feira, 22h
Árbitro: Marcos André Gomes da Penha (ES)
Assistentes: Fabiano da Silva Ramires e Vanderson Antonio Zanotti (ambos do ES)

PALMEIRAS: Fábio; Wendel, Lúcio, Marcelo Oliveira e William Matheus; Renato, Wesley e Mendieta; Leandro, Henrique e Diogo
Técnico: Alberto Valentim (interino)

SAMPAIO CORRÊA: Rodrigo Ramos; Paulo Ricardo, Edimar, Paulo Sérgio e Willian Simões; Jonas, Uillian Correia, Arlindo Maracanã e Valber; Waldir e Willian Paulista
Técnico: Flávio Araújo

terça-feira, 13 de maio de 2014

Palmeiras coloca mais quatro atletas na Copa do Mundo


De maneira direta ou indireta - não importa - o Palmeiras emplacou quatro atletas entre os convocados das 32 seleções para a Copa do Mundo 2014: os já ex-jogadores do clube Henrique e Alan Kardec e os gringos Valdívia e Eguren.

O nosso ex-capitão Henrique é presença certa na competição, assim como Valdívia, apesar de Jorge Sampaoli ainda não ter definido a lista final do Chile. No caso do volante Eguren, é mais provável que permaneça entre os sete suplentes, pois não tem sido lembrado pelo técnico do Uruguai, Oscar Tabárez, nas últimas convocações. Já Alan Kardec fica de estepe caso algum atacante do Brasil tenha que ser cortado de última hora.

Ceder ou alçar atletas às seleções de seu respectivo país é fato costumeiro nos 100 história do Palmeiras. De Luizinho Mesquita, convocado em 1938, até Valdívia (Henrique, Alan Kardec e Eguren não entram nessa contabilidade), já são 24 palmeirenses que participaram de Copas do Mundo. O recordista é Emerson Leão, com quatro presenças. Apenas as edições de 1930, 1934, 1982, 1990 e 2010 não contaram com jogadores alviverdes.

Confira a lista completa*:

1938: Luizinho Mesquita
1950: Jair Rosa Pinto
1954: Humberto Tozzi e Rodrigues Tatu
1958: Mazzola (pela Seleção Brasileira – em 1962 defendeu a Itália)
1962: Djalma Santos, Vavá e Zequinha
1966: Djalma Santos
1970: Leão e Baldochi
1974: Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Leivinha, Ademir da Guia e César Maluco
1978: Leão e Jorge Mendonça
1986: Leão e Diogo (seleção uruguaia)
1994: Zinho, Mazinho e Rincón (seleção colombiana)
1998: Arce (seleção paraguaia)
2002: Marcos e Arce (seleção paraguaia)
2006: Gamarra (seleção paraguaia)

Para os supersticiosos, o Brasil jamais venceu uma Copa do Mundo sem a presença de um palestrino no seu elenco. Sendo assim, esperamos que os deuses da bola considerem a importância do Palmeiras na vida de Henrique para levantarmos a sexta taça.

Nós, do Avanti Palestra, não temos dúvida alguma de tal importância.

*Fonte: Site Oficial do Palmeiras